terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crónicas de 10 ou 12 linhas - Música à Camões



Às  vezes penso no que me leva a renunciar à música portuguesa. A mim, que digo amar os nossos acordes e letras, vozes e instrumentos. Afasto-me sem razão da nossa cultura, legado que cada país tem só seu. Será por pensar que só Puccini e Donizetti de batutas dadas com trash metal  merecem rodar no mp3? Que chique. Que choque.
Até que fecho os olhos e lembro o que me fazem os nossos acordes e letras, vozes e instrumentos. A certeza de que só a nossa música compete com os abraços dos meus quando vou  a casa, só ela mimetiza aqueles segundos em que morro e renasço no pedaço de mim que volta a casa. Agora recordo o porquê de não nos ouvir frequentemente.  A que "saiu porque quis", a que veio para longe por vontade, a que poucas vezes se encontra só com portugueses... desvanece num sopro e dá lugar à lusitana que vibra com o dedilhar intrincado da guitarra portuguesa, estremece com melodias de gerações. Aquela que quer recitar poemas de todas as eras, decorados ainda criança com a mãe e o avô. Quer.... mas a voz embarga-se e os versos ressoam em silêncio cá dentro. A nossa música desfaz-me a carapaça de combate, o escudo da distancia, deixa-me feliz e vulnerável. Quando me entrego a um momento assim, sei que os 3000km que me separam do canteiro salgado não são nada. Sei porque vou a casa e mato as saudades no instante que carrego no play.




Se estou a ouvir Lamb of God depois de 1 tarde patriótica e uma crónica teclada num fôlego? 
Hell yeah.





1 comentário:

Ricardo Santos disse...

É um artista português e usa não pasta medicinal couto, mas instrumentos antigos