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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ser tia


Estou a habituar-me ao facto de para sempre haver uma pessoa pequenina (para já) que ocupa imenso espaço no coração (o qual, bem sabemos, é como o Universo e se expande sem fim) e ainda agora começou. É a responsabilidade, a emoção e o amor embrulhado em mantinhas.

Pronto, era isto. Agora vou ali averiguar bilhetes para ir apertar as bochechas à minha bonequinha.





domingo, 6 de dezembro de 2015

Um polvo de coisas sobre mim #11 (especial famelga)



1 - Uns avós separaram-se após 49 anos e 3 /4 de casamento. A avó decidiu viajar e levou a neta a tiracolo. Foi a minha primeira viagem de avião.

2 - No 1o abraço que dei ao meu primo depois dele perder o irmão, achei que era ele que o abraçava e não eu. 

3 - O meu tio e a minha tia, divorciados há muitos anos, continuam a celebrar as datas importantes juntos "por causa dos rapazes". Os "rapazes" tinham ambos mais de 30 anos quando ouvi isto.

4 - Essa tia é mais minha do que uns que não vieram por papel, como ela. (É tão fofinha).

5 - A minha madrinha é autora de algumas das mais ternas memórias de criança.

6 - O padre que casou os meus pais é, hoje em dia, também ele, pai e marido feliz.

7 - O meu irmão deu-me uma irmã. A vida dá voltas muito boas :o)



 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Da bíblia de cada um, cada um é que sabe.


Há aquela que é um bestseller (cuja análise em exame daria negativa a muitos dos que por ela pautam a vida dos outros... adiante, pois como essa há outras colectâneas tão ou pior interpretadas por "entendidos"). Felizmente não é a essa que me refiro.

No meu trabalho preciso de ler (em não tendo memória eidética, também preciso reler e não é pouco). Não sei como é com vocês - estimados 3 leitores - mas, há um livro que nunca li de fio a pavio e, no entanto, é aquele que levaria para uma ilha deserta com um escritório (e vista pró mar a toda a volta). A resposta está lá, num parágrafo ou noutro, perdida e achada entre Ahs! e Ohs! por já ter lá passado os olhos sem que aquilo tivesse sido relevante.
Na minha 1a semana em Berlin, tive o pivilégio de conhecer o autor da obra prima depois de um workshop em que percebi zero vírgula quase nada. Foi aí que decidi comprar o livro que condensa décadas de trabalho dedicado uma causa maior. Estávamos em 2006. Até hoje continua com (bastantes) páginas por ler. Gosto da sensação de haver sempre algo novo naquele livro velho.




(Sim, o meu marcador de livro é um flyer de um festival Punk que muito estimo)





terça-feira, 21 de julho de 2015

Aquele momento


em que os teus amigos que moram em Berlin e conheceram os teus pais aquando de uma visita destes à capital estao no teu país-cidade-casa(-dos-teus-pais) a almocar um bacalhau no forno delicioso cujo aroma te chega por risos e fotografias. E tu ficas feliz por eles, mesmo que te faltem mais 9h de trabalho e haja 3000km entre aqueles sorrisos que adoras. A saudade é uma coisa tao nossa.


sábado, 18 de julho de 2015

Crónicas de horas vagas: "A família nao se escolhe" ou o contrário




Sou de afectos, sorriso fácil, temperamento difícil.
A minha família nuclear (sendo que ainda não fundei uma por mim), continua a ser a trindade mãe-pai-irmão (até a equipa aumentar com uma contratação matrimonial a partir da próxima época... sim, vamos passar a quadrilátero :o) Pilares onde assenta a minha existência, os primeiros a quem recorro e cujos abraços me faltam naqueles dias em que um ecrã ou telefone não bastam.

Junto deste patamar de exclusividade estão as minhas avós - a São e a Quica - com as quais cresci e me ligo profundamente por motivos mui diversos, quase opostos. Duas mulheres que admiro e ambas muito presentes na minha vida e das quais já falei cá. Acontece que, mesmo estando bem servida neste departamento, não me coibí de adoptar mais 2: a avó Bini e a D. Alice. A primeira não vejo há muitos anos, mas sei-a bem. Dona de um sorriso muito belo e olhos brilhantes, autora do melhor souflé de frango do mundo, é avó de uma prima a quem não pedi licenca para rapinar e incluir na minha cartilha de familiares fofinhos emprestados... (Agora que penso nisso, também lhe rapinei uma tia, mas já lá vamos...).
A D. Alice era amiga dos meus avós paternos, uma Senhora no mais perfeito sentido da palavra. Ser-lhe-ei grata sempre pela dedicação com que me guiou na adolescência nas longas conversas entre chás e livros, modas e (bons) costumes de tempos idos,  fomentando o meu interesse pelo clássico (tal como a minha mãe). Quase sem eu dar por isso, limou arestas que em boa idade foram ajustadas e às quais só mais tarde viria a dar o valor inteiro. Não tinha netos e afeiçoou-se a mim como a neta que lhe faltava. Era recíproco e ela sabia-o.

"Tias de sangue" tenho 2. Já tios tenho mais e, estou em crer que casaram bem, mesmo os que descasaram. Por exemplo, a tia Zi é tão estimada por todos que nem o facto dela e o meu tio se terem divorciado há 20 anos fez alguma diferença na dinâmica familiar e na ligação que temos com ela. Foi quem me deu colo e cobriu de mimos no fim de um dia mirabolante que surgirá brevemente na rubrica "Vai uma coisa parva sobre mim... vai ter de ser". Já a tia Fátima possui 1 rara combinação de irreverência e disciplina que doseia com mestria. Além disso, ensinou-me a andar de bicicleta! Há ainda as tias MJosé e a Isabel que me moram no coração, e mais duas, uma que raramente vejo e outra que é melhor não ver.
Nas aquisições pessoais tenho a tia João - amiga da minha mãe dos tempos de liceu tornou-se, conforme fui crescendo, numa amiga que também é minha, deu-me a mão numa longa caminhada espiritual. Há ainda a tia CG - a tal que rapinei a uma prima - com quem tenho uma ligação deveras especial e a única entre os mencionados a ler este post (Olá Tia!!)
Outros e outras há (amigos que passam a primos, manos a manas, poucos e bons), com elas episódios caricatos merecedores de posts nome próprio um dia destes.
"A família nao se escolhe" é, portanto, estribilho sem sentido para mim. Por um lado, angario para o meu círculo pessoal os que o são desde sempre e os que a vida me dá de presente; por outro, vou gerindo um(a) ou outro(a) que a Fortuna pôs no meu caminho como sendo de sangue para me arreliar desafiar um pouco.
O segredo é apreciar os que temos e acrescentar os que nos fazem falta até conseguir o royal flush.










terça-feira, 23 de junho de 2015

Curtas


Eu sei que isto é longo pra chuchu mas, é assim que se enche chouricos um post com II (Informacao Irrelevante) de grande qualidade.

Um amor: ui tantos... é para contar?
Uma cor: Preto e Vermelho
Um desporto: Karate e danca Oriental
Uma música: 10,000 Days - Tool & Hallelujah - Leonard Cohen
Um orgulho: comer de faca e garfo ou fazer o pino... é ela por ela
Uma comida: bacalhau / polvo à Lagareiro e açorda de alguma coisa
Um dia: 1 de Janeiro e 3 de Julho
Um ídolo: a Avó e a Mãe (1 descende da outra)
Um desenho animado: Tom & Jerry e a Tartaruga Touché
Um defeito: temos aqui material para uma tarde bem passada..
Um melhor amigo: um amigo desde a 1a classe tem esse título
Uma pessoa com quem partilhas mais memórias: o irmão (partilho os pais, imensas memórias e milhoes de gargalhadas parvas)
Uma cidade: Berlin, Braga & Lisboa
Uma rede social: tenho conta no FB, Piscinas municipais de Braga, LinkedIn, RG, Inatel, Twitter, Amigos de Peniche... espera, enganei-me 
Uma viagem que queres fazer: Japão (2 semanas em silencio num mosteiro, 2 a passear) e 1 tour por 12 casas de ópera no mundo com estreias de Puccini
Um sonho: Ser candidata a Miss e dizer "World Peace" quando me perguntarem o maior sonho
Uma bebida: água (ia dizer vinho tinto ou Campari com prosecco mas é melhor não)
Uma disciplina: trabalhos manuais
Um fetiche por: sotaque galês em voz quente
Um número: 5
Um clube: FCP
Uma pessoa que te faz muita falta: 1 mão cheia delas
Uma pessoa que nunca trocarias por ninguém: Até ver, há 3 que são "introcáveis".
Alguém que odeias: Odiar odiar, só iscas de fígado (blheec).
Alguém que te está a irritar neste preciso momento: Assim de repente, ninguém.
Alguém a quem contas TUDO: Não se conta t-u-d-o a ninguém.
Alguém que gostas mais de abraçar: pessoas diferentes, abracos fundamentais e intransmissiveis.
Alguém que já fez muito por ti: Mãe
Alguém que te faz mesmo feliz: Strauss (nos ouvidos faz-me ensaiar valsas na rua)
Alguém por quem farias qualquer coisa: É do conhecimento dos alguéns
Alguém que te põe sempre a rir: Avó Kika, mesmo que a memória se lhe esvaia, vive em mim cada sorriso que lhe arranco.
Alguém amoroso: eu sou amorosa em anos pares
Uma vitória: ter reaprendido a dormir após anos de insónia. 



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Disso de repartir irmamente


Em tendo de dividir, dava sempre a "maior metade" ao mano, porque sim.
Excepto se o caso envolvesse................ mil folhas de canela (de uma padaria em Guimarães que distribuía em Braga aos sábados). Nesse caso, a metade era definida com régua. Sempre.
Coisas da vida.
Passados muitos, muitos anos, se nos vier parar um bolo de canela às mãos, tenho para mim que um de nós iria buscar uma régua, não só porque é tradição mas também para não se dar o caso de ser mal dividido...

Como diz o ditado, quem parte e reparte e não fica com a melhor parte...
ahhh que vontade de trincar um bolinho de canela.................


Não é bem isto mas anda perto


PS: Guimarães teve e continuará a ter os mais e melhores supimpas saborosos e irresistíveis croissants de todo o sempre. Pessoas  do sul que prestais vassalagem a um tal de Careca, atentai no que vos teclo. Como bracarense de gema desafio qualquer um a ir a uma certa pastelaria perto da universidade em Guimarães e não sair de lá a rebolar.

PS2: E porque hoje é dia dos irmãos, informo que o meu é o maior da aldeia. Está ali um moço como manda o figurino, com algumas qualidades raras em homens desta geração e uma fonte de orgulho para a família.






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Primês



Das tropelias de criança à amizade adulta forjada ao longo dos anos, aos nicks que só a ti permiti (porque me faziam rir embora dissesse que não), à paixão partilhada pelas artes marciais, aos brindes e segredos bem guardados, aos abraços no aeroporto e ao teu sorriso malandro que conquistava as minhas amigas... tenho saudades de tudo. Primês, a língua que inventámos há muitas conversas atrás e que nunca mais vou poder falar.


Lembro-me de cantarolares esta num almoço lá em casa,
um domingo qualquer, no ano qualquer em que conheci 
Bob Marley através de ti.






terça-feira, 3 de junho de 2014

Crónicas de 10 linhas: Pessoas onde podemos morar



Somos todos de algum lado. Mesmo quem se intitula cidadão do mundo, é cidadão primário de algures. Pode ser onde se nasce ou cresce (parcial ou totalmente), na nacionalidade dos progenitores ou um qualquer ambiente que não escolhemos em certa fase da vida. Há um canto que é o nosso e nos está na pele, através de gostos e atitudes. Estão lá para sempre como referência de quem somos, seja porque os partilhamos ou nos distanciamos deles. Depois, bem, depois há aquele outro local onde chegamos, que nos acolhe de modo diferente. Tem o que falta nas paragens intermédias e nos é, indecifravelmente familiar. Sentimo-nos estranhamente em casa sem saber como explicar que são os detalhes que fazem a diferença e não o que a  vista alcança.
Nas terras como nas pessoas, há aquelas onde podemos viver felizes muito tempo, nunca delas sair, ou passar só uma temporada. Há um amor ao qual não se foge, o 1o - a origem. Há quem more nesse amor até ao fim e quem o guarde em forma de coordenadas emocionais para gerir a(s) renda do(s) amor(es) seguinte(s). Tudo tem um preço: mudamos por necessidade, investimos numa nova terra, emprego ou coração. Nas pessoas como nas terras, o objectivo é um: sentir-se em casa (mais do que ter uma). 




Das paragens que tive até hoje, só a uma chamei casa (Berlin). Das que, eventualmente, terei no futuro, ainda nao sei dizer a que sabem. Mas depois, depois há o estranho caso de Lisboa e a certeza que serei feliz lá (mesmo que só a beije de passagem 1 vez por ano e, bem somado nao tenha lá estado um mes em 31 anos).


sexta-feira, 21 de março de 2014

E aquelas que nos perseguem dias a fio?


Quando dou por mim lá estou a trautear isto. Persegue-me há dias (outra vez). Talvez seja o momento certo para marcar aquela consulta qua ando a adiar, convencida que o mal há-de passar sózinho...

Podia dar-me para pior?



Duvido. Até porque não é a primeira vez. Há quem tenha herpes labial. Eu tenho Muppet Babies no ouvido.





quinta-feira, 13 de março de 2014

Mini-férias


Podia dizer que vou entrar de férias porque mal me aguento em pé e preciso gastar as férias do ano passado o que, sendo verdade, nao é a razao principal.
Eu estou de férias a partir de... agora, porque o meu melhor amigo desde a 1a classe chega amanha. Aquele que é quase um mano, tem o mesmo nome do mano e conheco-os quase desde a mesma altura.
Preciso de mimo, tardes de sol no parque, turismo, noites de swing e metal, segredinhos sem horas como antigamente. Toda a conversa e silencios que temos para por em dia, vao ser postos em 6.
E agora vou ali ser um bocadinho mais feliz. Fiquem na paz de Buda que eu volto já.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crónicas de 10 ou 12 linhas - Música à Camões



Às  vezes penso no que me leva a renunciar à música portuguesa. A mim, que digo amar os nossos acordes e letras, vozes e instrumentos. Afasto-me sem razão da nossa cultura, legado que cada país tem só seu. Será por pensar que só Puccini e Donizetti de batutas dadas com trash metal  merecem rodar no mp3? Que chique. Que choque.
Até que fecho os olhos e lembro o que me fazem os nossos acordes e letras, vozes e instrumentos. A certeza de que só a nossa música compete com os abraços dos meus quando vou  a casa, só ela mimetiza aqueles segundos em que morro e renasço no pedaço de mim que volta a casa. Agora recordo o porquê de não nos ouvir frequentemente.  A que "saiu porque quis", a que veio para longe por vontade, a que poucas vezes se encontra só com portugueses... desvanece num sopro e dá lugar à lusitana que vibra com o dedilhar intrincado da guitarra portuguesa, estremece com melodias de gerações. Aquela que quer recitar poemas de todas as eras, decorados ainda criança com a mãe e o avô. Quer.... mas a voz embarga-se e os versos ressoam em silêncio cá dentro. A nossa música desfaz-me a carapaça de combate, o escudo da distancia, deixa-me feliz e vulnerável. Quando me entrego a um momento assim, sei que os 3000km que me separam do canteiro salgado não são nada. Sei porque vou a casa e mato as saudades no instante que carrego no play.




Se estou a ouvir Lamb of God depois de 1 tarde patriótica e uma crónica teclada num fôlego? 
Hell yeah.





quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Das que me mudam para (muito) melhor



Always look on the bright side of life - Monty Python (Life of Brian)




Largo al Factotum  - G. Rossini (O Barbeiro de Sevilha) 



Rosen aus dem Süden - J. Strauss



Don't look back in anger - Oasis





Já cá passaram no blog, em alguns casos interpretadas por outros.
Sei as letras de cor e salteado. A 1a e a última são ideais de vida. A 2a faz-me (querer) cantar. A 3a faz-me dançar. Todas me fazem sorrir.



sábado, 25 de janeiro de 2014

Porto vs Berlin


Qual é que eu queria hoje? Berlin.

Rapinado de fb amigo


Há uns anos, quando me queixei do frio que se fazia sentir, alguém me disse que, nesta altura, há dias (raros) que amanhecem com céu limpo e sol radioso, que a luz desses dias reflete a neve branca e  só isso compensa a parca claridade de todos os outros, que o ar gelado cortante é tão límpido como cristal e há uma magia no ar.  Que, quando eu desse de tal dia, ia descobrir a o lado mais sublime do Inverno em terras (mais) altas. Tinha razão.





quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Das que nos dizem mais que outras e simetrias temporais


Aos 26 anos, numa (das) fase(s) menos colorida(s) da minha vida, a Ceci enviou-me um email com o título: "olha, és tu". Incluia um link para a música Hannah dos Les Cowboys Fringants.  Muito poucas músicas são aquela no momento. Normalmente associamos a uma pessoa ou situação pelo contexto ou momento em que escutamos, não por serem nossas. Neste caso, alguém muito longe e no passado, descreveu uma fracção da minha vida naquele presente em que a escutei pela 1a vez.
Não me dizendo agora muito mais do que a memória desse momento, canta pedaços de alguém, com detalhes de uma vida que pareciam talhados da minha.





Ving-six ans et perdue
Toujours plus désillusionnée
Elle vient qu'elle ne sait plus
À quelle connerie se raccrocher

Elle espère qu'un m'ment d'né
Elle pourra lever le voile
Sur ces sombres années
Et enfin revoir les étoiles



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nota mental



Isto das insónias, vai-se a ver e é um pupu quando nao é feriado no dia seguinte. 
Mesmo quando é. E nao foi
Entretanto, cortei no café, a modos que em termos de aspecto, me situo entre 1 zombie de boina cor de rosinha e uma agarrada em desintoxicacao.

(E depois quer uma pessoa chegar a velha com bom ar e sem reumático. pois...)



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

28 de Novembro revisited



E passam 2 anos no meu calendário.
Visto de longe, a darkest hour dura sempre 60 minutos.





sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Breve história de uma aranha no tecto



Um dia, ao entrar na sala, demos de caras com ele estranhamente silencioso. Schhhh... disse. Quando convergiu toda a atenção em si, dirigiu-a para um canto do tecto com ajuda de um laser. Apresentou-nos à aranha e vice versa. A aula versava sobre perspectivas e formas de olhar o mesmo espaço/circunstância/problema. Todos participámos, alegremente envolvidos na ideia de interpretar o mundo pelos olhos daquele fascinante artrópode. Foi à 14 anos e esta rubrica é em homenagem ao professor* que todos deviam ter, pelo menos uma vez.


 A imagem perfeita, enviada pela AFRODITE dos Jardins
a propósito desta rubrica
 

* Nunca um professor me causou tamanha amplitude de emoções: surpresa na 1a aula, temor nas seguintes e encantamento o resto do ano. Esta última, não no sentido de adolescente fascinada por virtude de hormonas desreguladas, mas antes pela surpresa absoluta que nos esperava a cada aula. Nunca (antes ou depois) vi um professor cativar uma turma inteira de um só trago. Ninguém ia "ter aula de Filosofia", todos iam viver uma aula de Filosofia.
Amado, temido ou odiado, indiferente ninguém lhe era. Gosto de pensar que a idade só o pode ter tornado ainda mais... mais... provocativo, cativante, assustador, magnético, irresistível. É o que espero, porque poucos são capazes de tanto e todos os alunos merecem uma experiência assim.

Foram muitos os professores que cruzaram a minha vida de estudante, quase todos a marcaram de alguma forma. Este não foi o meu preferido, mas faz parte do Royal Flush. :o)
Um dia exploro melhor este tema, assim como o naipe dos reles, que, se não serviram para mais, ensinaram-me a dar valor aos realmente bons.