Normalmente
digo que os limites do humor não devem existir.
Sogras,
binómio homem-mulher, feios, gordos, carecas, gays, politicos, aleijados, acidentes,
doenças mentais, sexo, raças ou religião (entre tantos outros), são temas passíveis de se tornarem piada dependendo do talento do autor. Todos rimos de umas coisas e
nos doemos de outras. Abordagens humorísticas sobre o que nos afecta profundamente (ou aos nossos) é sentido de outro modo. No entanto, é importante notar que há temas
que devem (deviam?) ser abordados com cautela e sim, um humorista pode e deve pedir desculpa
ou explicar-de quando algo que diz é demasiado grave. E onde está a
linha que separa o (mau) gosto do demasiado grave? Não sei bem dizer, mas
posso dar um exemplo de um humorista que passou
para o outro lado da força: Rafinha Bastos.
Não sigo a carreira da pessoa em questão. (Salvo na fase d'Os Barbichas, pouco ou nada vi dele. O humor brasileiro tem outros artistas que, podendo ser tão corrosivos, fazem-no com outra elegância). Fui repescar este escândalo de 2011 por achar que esta piada num país onde, nesse ano, foram reportados à polícia mais de 12.000 casos de violação, número que se estima ser 10% dos casos totais; num país onde em 10 anos foram assassinadas quase 50.000 mulheres (aqui); num país que anda há semanas envolto em enorme polémica por comentários de teor sexual explícito sobre adolescentes entre os 12-14 anos que participaram num inócuo programa de televisão - denota brutal falta de sensibilidade (entre outras coisas que prefiro não mencionar). E talvez seja só isso. Não é o limite do humor que é ultrapassado, pois talvez esteja bem assim, sem limites sem sentido. Apenas no contexto social, tenha sido um pé no charco. Ou dois, por não ter mais.











