segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Crónicas de 10 linhas: To Love vs To UnLove

Gosto da last.fm. Gosto de ouvir música de um género à minha escolha e ser surpreendida por uma playlist inesperada. Quando uma música passa, podemos fazer clic no coraçãozinho lá do canto e amar essa música. De imediato, o coraçãozinho começa a saltitar na nossa lista, porque amamos. E, da mesma maneira, pode-se "desamar" com um clic (opção unlove). E seguimos em frente, amando outra(s mil) melodias. E aquela deixa de ter coraçãozinho em evidência, sem memória de ter sido amada.

Na vida, o coração também é posto em evidencia quando amamos. Ali fica, vermelho e vibrante a amar. Exposto a tudo, é tão mais belo quão mais ao natural se apresenta, um esplendor palpitante que só ele. De uma delicadeza só comparável à força que lhe é intrínseca e que está no sangue vermelho e vivo projectado longe, quando se corta a artéria principal. Por vezes sentimos falta de um botão de UnLove na vida. Para estancar mais depressa. (E porque as nódoas de sangue são o cabo dos trabalhos para limpar. Tantas vezes, quando parecem limpas... ao acender uma luz negra lá estão elas).
E depois? Nao é importante o processo que conduz ao novo estágio de nós mesmos? Nao está muita da aprendizagem nas dificuldades e nos pantanos a atravessar? Não sabe melhor o cume da montanha desconhecida depois de a escalar (e aprender a amar)?
Se calhar há uma razao para esse botão não estar incorporado em nós. A Natureza sabe o que faz. Por vezes, nós é que não.

(Hoje tem 20 linhas. Nao me apeteceu encurtar)

11 comentários:

who's yo' mama zebra?! disse...

Até me custa fazer este comentário parvalhão, quando o assunto é sério e o texto tão bem escrito, mas assustas por querer limpar tão bem manchas de sangue por causa das luzes negras...

Joana disse...

Sabia bem ter esse botão, mas ainda bem que não o temos pois é assim que crescemos.

beijinhos

Pusinko disse...

Mama Zebra: Sabes que não deixo de ter a sensibilidade de um rinoceronte, mesmo quando sinto mesmo o que escrevo e escrevo com seriedade, como nesta crónica.
O que em vale, é que no meio deste pedregulho literário, foste evidenciar o que deixei em letras pequeninas a disfarçar. És uma facínora!

Joana: no fundo gosto de não ter botão de unlove. Senão perdia metade da vagem. Ou mais. Estancava tambéma evolução e capacidade de amar mais e crescer :)


Beijinhos a ambas e duas :o)

who's yo' mama zebra?! disse...

Facínora é vossa excelência, que eu nunca me preocupo com manchas de sangue, muito menos com luzes negras, e já vi muitos CSI's para saber o que essa preocupação significa! ;)

Mas eu também disse "texto tão bem escrito" e tu, pufff, ligar a isso, népias!

Pusinko disse...

Mama Zebra: eu confesso que a palavra se me afigurou na cabeça e queria gastá-la de alguma forma...
E sim, eu reparei nas palavras simpáticas dirigidas à crónica de várias linhas :)
Obrigada
Beijinho em vocemessê

Pink Poison disse...

Love you

Ísis disse...

Há dias mais fáceis que outros... Mas quando é Amor vale a pena o risco. Ingenuamente, talvez, achamos que o do Momento é Aquele.
Força amiga!
Beijinhos
ps-gostei muito deste post

Pusinko disse...

Pink: love you too :)

Isis: Há dias menos fácis, é verdade. O rsco é uma coisa complicada de gerir. Os saltos no desconhecido. entrega-se ao Tempo, esse grande senhor, e deixamo-nos guiar pelo espontâneo, o que vier...
ps: obrigada :)


Beijokas a ambas

Ana disse...

Depois de ler estes comentários fiquei simplesmente sem mais nada para acrescentar. Gostei muito desta crónica. Muita razão. Dizem.

Pusinko disse...

Ana: Ir ao sabor do vento é uma ideia muito melhor doque lutar contra a natureza. Ando a deixar-me ir e saborear a viagem :)
Desprender por apegar. Não sei. Tudo domeçou com o raio do botão de Love e UnLove da rádio online que ouço :)

Beijinhos

Stargazer disse...

Pusinko,

As manchas e as nódoas negras da Alma fazem parte da aprendizagem. O luto é um processo normal de quando se faz "reset" ou se carrega no unlove (que infelizmente nem sempre obedece ao timing da nossa vontade).

Mas há um dia em que acordamos e de repente nos sentimos mais leves. Reparamos então que mesmo sem botão, e obedecendo ao timing que o Universo dita e não a nossa voltade, o status "unlove" está instalado. É aquela sensação maravilhosamente tranquila em que olhamos para trás e vemos um filme, como espectadores, e já não como protagonistas.

Beijo no limelight da emoção,