sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Breve história de uma aranha no tecto



Um dia, ao entrar na sala, demos de caras com ele estranhamente silencioso. Schhhh... disse. Quando convergiu toda a atenção em si, dirigiu-a para um canto do tecto com ajuda de um laser. Apresentou-nos à aranha e vice versa. A aula versava sobre perspectivas e formas de olhar o mesmo espaço/circunstância/problema. Todos participámos, alegremente envolvidos na ideia de interpretar o mundo pelos olhos daquele fascinante artrópode. Foi à 14 anos e esta rubrica é em homenagem ao professor* que todos deviam ter, pelo menos uma vez.


 A imagem perfeita, enviada pela AFRODITE dos Jardins
a propósito desta rubrica
 

* Nunca um professor me causou tamanha amplitude de emoções: surpresa na 1a aula, temor nas seguintes e encantamento o resto do ano. Esta última, não no sentido de adolescente fascinada por virtude de hormonas desreguladas, mas antes pela surpresa absoluta que nos esperava a cada aula. Nunca (antes ou depois) vi um professor cativar uma turma inteira de um só trago. Ninguém ia "ter aula de Filosofia", todos iam viver uma aula de Filosofia.
Amado, temido ou odiado, indiferente ninguém lhe era. Gosto de pensar que a idade só o pode ter tornado ainda mais... mais... provocativo, cativante, assustador, magnético, irresistível. É o que espero, porque poucos são capazes de tanto e todos os alunos merecem uma experiência assim.

Foram muitos os professores que cruzaram a minha vida de estudante, quase todos a marcaram de alguma forma. Este não foi o meu preferido, mas faz parte do Royal Flush. :o)
Um dia exploro melhor este tema, assim como o naipe dos reles, que, se não serviram para mais, ensinaram-me a dar valor aos realmente bons.



5 comentários:

Jedi Master Atomic disse...

Nice prof.
Pena não haver mais assim.

Joana disse...

Também gostava de ter tido um prof assim.
Em compensação, tive uma excelente professora de português no 10, 11 e 12º anos de escoladidade, que me colocou o bichinho de ler, nomeadamente os grandes poetas e escritores portugueses.

Beijinhos

Patrícia disse...

Eu tenho pavor a aranhas, não era capaz xD
Mas também tive dois stôres daqueles que todos deviam ter :)

Catarina disse...

Gostei de conhecer a história da "Aranha no tecto"... O nosso professor de Filosofia, tenho impressão que só desejava que as aulas terminassem, meia dúzia de pessoas da turma (leque do qual eu fazia parte) também viviam a sério a filosofia, e ao contrário do teu professor, acho que o nosso queria era que os 90 minutos passassem o mais rápido possível... Nós é que criávamos as aranhas no tecto e as debatíamos até há exaustão :)

Beijinhos*

AFRODITE disse...


Nunca fui muito amante de aulas de filosofia...
Quanto à tua história, adorei lê-la... e fiquei feliz por teres gostado tanto da foto. De facto, quando a vi pela primeira vez, pensei de imediato em ti! :)


Beijinhos e obrigada pela partilha desses teus momentos mágicos.
(^^)