Páginas

sábado, 29 de janeiro de 2011

Faz-me comichão no céu da boca #3: touradas e derivados

Com 3 anos de idade vibrava a ver touradas. Levantava-me da cadeira sempre que o touro se aproximava indignada "o touro vvai dar uma marrrada no cavvvvvalo!" Era uma miuda que vincava a sua opinião,a começar pelo impacto auditivo do que proferia, neste caso, as minhas consoantes de estimação (v & r) :)
Mas isto era eu aos 3 anos. Depois o tempo passou e cresci e, algo que as vezes acompanha o crescimento físico, amadureci e mudei ideias (algumas, vá).

"Em Portugal as touradas foram proibidas no tempo do Marquês do Pombal, após uma em que faleceu uma grande figura nobiliárquica estimada pelo monarca D. José." in Wikipedia
Posto isto, tenho a dizer que o Marquês do Pombal foi o maior! E o D. José também, ora pois, que evitou que mais pessoas fossem falecer a touradas, além dos touros que são torturados e o camandro.

Ora bem, a ver se consideramos dois lados.

A tourada é 1 manifestação cultural milenar e é 1 desprezo enorme acabar com isso advogando que os touros sofrem imenso quando 1 pato engordado à força sofre tormentos terríveis e o fois gras continua a ser tão apreciado.
Todas as culturas têm manifestações culturais violentas e não violentas. O facto de ser 1 tradição  não justifica que sejam mantidas. Eu não papo fois gras nem caviar. Não gosto, nem do cheiro mas também me recusaria se apreciasse. Aliás, pagaria bem mais mas ia saborear o paté de fígado de 1 certa quinta francesa que se rege por princípios de sustentabilidade na prodição e se vende em lojas Gourmet.

Os touros de lide são exclusivamente criados para isso. São excepcionalmente bem tratados e extinguir-se-ão se as touradas acabarem, pois não têm outra utilidade. :(
Não é por se fornecer condições melhoradas que se pode terminar com a vida do bicho sob tortura. E, a conservação de uma espécie não pode ser baseada no prazer de dominar os "salvos da extinção". É muito egoista falar em preservar o touro de lide para tal fim. E os ferros espetados no lombo doem sim. E sou contra qualquer badameco que venha dizer o contrário até lhe serem espetadas 6 agulhas de lã pela espinha abaixo e que diga no fim "eu não disse? Faz doidói mas não arde. Vamos tomar café"

É um elogio ao homem e à virilidade lutar contra um touro.
Não é 1 elogio à masculinidade vestir-se tão mariquinhas e e usar de lâminas afiadas para espetar no lombo do touro. É 1 luta desigual (a menos que o touro salte pela plateia, distribuindo umas marradas).

As touradas estão ligadas à religiosidade, simulando 1 luta entre o bem e o mal.
Pois sim, mas eu cá sou pelo touro. Além do que, para manifestações religiosas que não doem, há a missa (se o padre não for chato).

O que eu acho disto tudo... sou a favor de touradas. Vá calma que ainda não acabei. O que considero mesmo de macho nesta "arte" é a pega, os forcados, 8 tipos que querem imobilizar o touro e vão sem armas. Tourada à corda como se faz nos Açores é o que eu chamo de tourada sustentável. E outra versão francesa cujo nome não recordo agora. Se tem menos público e não rende comercialmente para criar os touros e a indústri a eles associada... então tirai os collants de licra cor-de-rosinha e botai o rabo a trabalhar noutra área.

Nos derivados do título, está incluido o circo com animais. Já gostei e adorei quando tinha menos 20 anos. Neste momento acho miserável. Fim 

Sem comentários: