"Confesso que não sou uma pessoa suficientemente lúcida para conseguir perceber quando é que termina o amor, acho que vai acabando. Tão pouco sei dizer com um pingo de certeza como é que se faz para esquecer esse mesmo amor quando em nós ainda persiste aquela bola que vai da garganta ao estômago cada vez que pensamos nele. Embora saiba identificar aquele exacto momento em que é nítida a sensação de que algo se partiu e que é irremediável, devo admitir que sofro de uma certa esquizofrenia que me impede de o aceitar, baixar os braços, virar as costas e simplesmente desistir ao primeiro golpe. Está-me na massa do sangue uma quantidade colossal de persistência que, em certos aspectos, me envergonha e me torna uma pequena autista sentimental que acredita que tudo na vida se resume a um saldo: positivo ou negativo e a cada golpe faço as contas. Não sei precisar o exacto momento em que esqueci os homens que passaram pela minha vida, mas sei o momento em que deixei de os querer. É preciso deixar morrer sonhos para sonhar outros melhores porque nem todos nascem para ser concretizados. Alguns morrem por si, outros são assassinados, outros têm simplesmente de ser eutanasiados. Estou numa fase assim, vazia de sonhos a dois e rica de sonhos meus, de coisas que quero fazer antes de te conhecer, de coisas que quero corrigir para ser melhor contigo. E quando nos conhecermos tenho a certeza que vou voltar a sonhar acordada."
Rapinadíssimo e autorizado
daqui Porque li e me revi. Tanto.
(Felizmente a bola também já passou...)