Estou indignada com o banditismo digital.
Então não é que recebo um
email de remetente obtuso com um anexo que não abri e, na mensagem apenas 1
linha: "Our discussion is in your country or here in Iran?"
E foi neste momento que percebi como o mundo mudou. Já nao se faz trafulhice cibernética como antigamente. Os facínoras desta geração ignoram o charme das abordagens tão pessoais como: Dear Madam or Sir / Hello my dear friend / Wasup bro?...
É tudo à bruta: Onde vamos discutir os detalhes do negócio?
Por
negócio, entende-se o processo em que pessoa parva (eu, no
caso) fornece ingenuamente os dados bancários ao senhor bem
intencionado cujo pai, milionário às portas da morte, pretende
distribuir uma fortuna incalculável por diversos países. Entre inúmeros
candidados, escolheu-me a mim, pessoa idónea (parva), com sólida
formação moral (parva), capaz de ajudar o próximo (incluindo
moribundos cheios de guito - parva), recebendo em troca um valor simbólico de
10 milhoes de dólares como gratificação pela preciosa ajuda no
cumprimento da derradeira vontade do seu amado pai (senhor muito rico
que está aqui, está sentado entre Mohamed e dúzia e meia de virgens com os entrefolhos em fogo de desejo).
É assim que se faz, senhor iraniano que nem assina os emails. Tantos
Rashid, Omar e Mustafas neste mundo e nem um se despede de mim - A Escolhida (a parva). É fundamental um nome (falso) para criar ambiente. Onde
vamos parar se até os colarinhos brancos perdem o brio? O mundo da
moscambilha digital perdeu muito em termos de serviço de embuste à vítima.
Depois disto, recuso-me a ajudar senhores
muito ricos
com hálito a morte lá no Oriente Médio. Mesmo passando rigorosos
processo de selecção. Abdico ainda da gratificação. Sim, eu sei que são
10.000.000 de dinheiros mas, afinal, era apenas um valor simbólico. Não gosto de gente mal educada. Consigo, sr. Bandido, não quero mais nada.