Bem, o António Zambujo num concerto tão intimista quanto impossível em Portugal, foi maravilhoso. É isto.
Momentos deliciosos cheios de sorrisos e brincadeiras pelo meio. Pela 1a vez em Berlin e com uma sorte do caneco, fiquei a 2000 milímetros dos músicos, mais coisa menos coisa :)
Espero, no entanto, que o Luís Guerreiro não se tenha assustado com o olhar levemente alucinado deveras curioso desta que vos tecla. Nunca tinha estado tão perto de uma guitarra portuguesa! Obrigada por este serão encantador.
E um beijinho à Margarida por se ter lembrado da Manquinha (alcunha que, espero, deixe de fazer sentido em breve. S. Abegildo me ouça! Amén-doim)
Voz fluida, sensual, "liquid gold"... derrete-me. É a única cover que gosto desta música, e já tantos tão mais famosos a cantaram.... Afrodite, era esta ;)
Foram 3 dias de punks agrupados num evento no centro festeiro de Berlin (no Leste, claro). Fui ao 3o dia porque os Toy Dolls encerravam o festival. 35 anos de carreira, das poucas bandas punks que "toca mais de 3 acordes" (confirmai AQUI com a benção de Bach) e melodias diferentes para cançonetas diferentes (as outras devem achar que nós não damos conta...).
Um noite de boa disposição seguida de quase 3 minutos de aturada reflexão para concluir o seguinte:
- É engraçado ir a um evento tão específico e ser diferente por ir "normalzinho" no trajar, penteado e quantidade de metal atravessado na chicha;
- Grande revelação + conselho da semana a uma boa percentagem do público presente: o sabão não morde! A sério, até se desfaz quando combinado com água. Isso e detergente nas roupas volta e meia. Ide e espalhai A palavra.
- Pessoas de cristas, a pergunta que se impõe: como é para dormir de costas? (Esta dúvida encanita-me muito antes do festival)
Berlin, um dos redutos punk. Aqui em sintonia de cores
Toy Dolls, o mesmo vocalista de sempre,
mais que muitos bateristas e baixistas.
Sexta-feira, 13 de Março de 2009. Seis anos depois, outra sexta-feira 13 para comemorar o nascimento de um tasco conhecido como Pusinko. Como a parvoice não passa de moda, continuaremos sintonizados neste canal por cabo. (Até ver)
Enormes SABATON num concerto que abriu ao som de "Final Countdown" (sim essa que estão a pensar), passou por Michael Jackson e terminou em apoteose.
Já falei deles aqui e aqui mas não esperava que fossem tão brutais em palco. E com sentido de humor. E sorrisos felizes e gratos a uma plateia que os mereceu e soube receber. Até à próxima suecos de estimação da Pusinko :D
To Hell and Back - PTSD (stress pós traumático) afecta veteranos de todas as guerras. Esta música conta um desses casos de soldados que regressaram a casa e nunca resgataram a alma dos escombros da 2a Guerra. Letra aqui
Os meus conhecimentos de checo reduzem-se ao nome deste blog e meia dúzia de palavras bonitas que nao me ajudam aqui... Felizmente, a música fala todas as línguas.
Após anos a adiar, concretizou-se o fim de semana em Leipzig.
A arquitectura é bela, os séculos de história sentem-se ao pass(e)ar, há algo de cativante no ar que se respira. Ou era só eu feliz por ter curado um resfriado e adicionei fermento a uma sensação banal para o resto do mundo..... Pshhh naaaaa. Berço de Wagner, amada por Bach, e morada de tantos talentos em diferentes áreas ao longo do tempo tem de ter algo de especial.
Éramos 4, combinação ideal em número, género e grau. Descobri sintonias inesperadas em conversas espontâneas, risos muitos, brindes mais. Palmilharam-se ruas, parques, avenidas e pracetas sem mapa nem plano, como se soubéssemos por onde ir e não nos enganamos. Leipzig não que enganar, aliás (a minha famosa falta de orientação geográfica não é aqui chamada).
Jantámos no incontornável Auerbachs Keller, 2o restaurante mais antigo da cidade (meados do século XV), preferido de Goethe ao ponto de o incluir em Fausto. Diz que, volta e meia, surge um Mephistófeles vestido a preceito a tentar as almas de incautos (e surpresos) clientes. No bar da casa, os cocktails fazem-se acompanhar por um piano e violino em modo swing, interrompidos aqui e ali por objectos com vida própria ou uma gargalhada cavernosa entre fumos e magia. O Diabo anda à solta em Leipzig e deve ser um bem disposto porque eu deixei lá um pedaço da alma. Entretando, depois de tudo isto, encomendei o livro.
Aos 26 anos, numa (das) fase(s) menos colorida(s) da minha vida, a Ceci enviou-me um email com o título: "olha, és tu". Incluia um link para a música Hannah dos Les Cowboys Fringants. Muito poucas músicas são aquela no momento. Normalmente associamos a uma pessoa ou situação pelo contexto ou momento em que escutamos, não por serem nossas. Neste caso, alguém muito longe e no passado, descreveu uma fracção da minha vida naquele presente em que a escutei pela 1a vez.
Não me dizendo agora muito mais do que a memória desse momento, canta pedaços de alguém, com detalhes de uma vida que pareciam talhados da minha.
Ving-six ans et perdue Toujours plus désillusionnée Elle vient qu'elle ne sait plus À quelle connerie se raccrocher
Elle espère qu'un m'ment d'né Elle pourra lever le voile Sur ces sombres années Et enfin revoir les étoiles
Ne Me Quitte Pas
Disse Brel "Cette chanson n'est pas une chanson d'amour, mais une chanson sur la
lâcheté des hommes" (esta canção não é uma canção de amor, mas uma canção sobre a covardia dos homens), ou nao fosse ela escrita para Suzanne Gabriello, a amante grávida que ele abandonou e cujo aborto se deveu em muito à sua atitude leviana. Não é uma canção de amor, mas poucas mulheres foram cantadas assim e poucos bandalhos souberam traduzir remorços com tanto encanto.
Dans le Port d' Amsterdam
A ti, Amsterdam, cidade primeira que me acolheu fora de casa e me está gravada no coração, uma pequena homenagem.