A cabala em defesa da mulher real, em paz com a flacidez e gorduras penduradas porque se
aceita tal como é e quem não gosta não olhe!
Ora bolas! Eu não apoio photoshopice exagerada nem transformação de modelos em bonecas insufláveis digitais, mas já cansa tantos blogs e sites dizendo que sim senhor cada um veste o que quer e ai de quem não achar que a pessoa em questão é tão corajosa e só por isso é muito linda. Estar à vontade consigo própria não é sinónimo de falta de decoro na forma de vestir esperando que, por obra e graça de um unicórnio mágico, o resto do mundo veja ali uma Miss Universo em estado bruto.
Há campanhas louváveis pelo empenho em desmistificar o heroin chic / culto da ossada à vista, recorrendo a mulheres bem dispostas e biótipos variados. O que me comicha no céu da boca é esta ideia ser puxada ao extremo por bloggers e actrizes deveras aborrecidas com quem sai da mediania e pode inspirar terceiros pelo aspecto, comportamento ou esforço em ser saudável. Então se for alguém que coma bagas Goji com canela ao acordar, até lapidação parece pouco! Virou moda criticar over n over quais discos riscados.
A minha sugestão é que se pare de fingir que presuntos ornados de celulite, 10kg extra em vestidos justos estilo Michelin deviam estar nas revistas só porque a maioria da população ocidental tem peso a mais. Não deviam, por isso é que não estão lá.
No entanto, se se aceitam balofas ou gostam mesmo de ser do contra e não há imaginação para mais, sejam coerentes! Não encham a cara de betume todos os dias, (des)colorações a cada 3 semanas e nail art a cada 4 enquanto fazem apologia da mulher real. Saiam à rua de cara lavada e creme hidratante, deixem os cabelos brancos serem felizes ao ar livre e as unhas limpas. Isto, ou bem que é au naturel ou há que mostrar algum brio, tentando ser a melhor versão de si própria, sem desculpar o desleixo com o já batido "sou real", vestindo-se com paninhos que melhorem o aspecto e não o contrário.
Reais somos todos os de carne e osso. Seremos é reais idiotas se negligenciamos o potencial para melhorar física e espiritualmente porque nos impingem a moda da mulher real cuja bandeira é mais fácil de empunhar e cansa menos que umas corridas no parque ou uns passeios de bike todas as semanas.
Tão perigosa é a obsessão pelo corpo perfeito como a indiferença com que se (des)cuida do mesmo. A resmunguice em si prende-se com a febre blogosférica, nacional e internacional de gozar sem dó nem piedade com quem acha que pode melhorar.