(Retomamos esta rubrica após um interregno, mas não por falta de material, não temam)
Local - China, numa cidade com mais de muita gente
Data - há um tempo atrás, também em Outubro
Pusinko aterra em território chinês com dois alemães. Depois de devidamente instalados no hotel fomos explorar as redondezas. Realmente há gente piccolina naquela zona e, tendo em conta os olhares que nos lançavam, o nosso grupo seria visto como 2 torres louras de olhos azuis a ladear uma não-tão-torre assim de cabelos encaracolados e um sorriso muito grande.
Cidade muito activa mas pouco dada ao turismo e estrangeirices naquela altura do ano. Foram horas a absorver informação (e um ou outro cheiro nauseabundo) até achar uma alminha que falasse inglês limpinho. Uma alminha super querida que fez questão de nos convidar para jantar com ela, o marido e o irmão num restaurante típico. Prato tradicional:
Hotpot (Basicamente, encomendam-se porções do menu e cada um cozinha na hora porque as panelas são o centro de cada mesa.)
Pedimos vegetais, peixe, carnes variadas, incluindo frango. Quando trazem o pedido, chicha de frango nem vê-la mas a espreitar de uma tigela estavam pés de galinha.
"Olhai, não há engano?" - perguntei
E eles abanaram a cabeça "No, no! Chicken! Chicken!" E sorriram daquela maneira que encerra qualquer discussão.
Viro-me para os colegas e partilho entredentes o trauma "É das piores coisas que já comi, pés de galinha. Provei em garota e até hoje não gosto nem de olhar. Que horror".
Pessoa sensível é esta que me paga o salário pois, não tendo passado 5 segundos do infeliz comentário, sorri cúmplice para o outro alemão, olha para a senhora e exclama:
- Ahhh a Pusinko estava aqui a dizer que adora pés de galinha!
A anfitriã, feliz que só ela, traduziu a minha alegada predileção por pés de pito e era vê-los empenhados a ensinar os segredos milenares de como cozinhar aquela
merda iguaria tão...tão... gorda e...noj... cartilagínea vá. Seguindo os conselhos preciosos, deixei ferver em molho picante durante 30 segundos - "Deve ser para ficar crocante", disseram aqueles 2 idiotas - durante os quais imaginei vinganças tenebrosas.
O amoroso colega (raisoparta) só acrescenta:
- Ahh Esperem que eu vou pegar na máquina.
Chegada a hora da verdade, peguei no maldito pé de galinha e comi com a melhor cara que consegui, entre flashes e gargalhadas abafadas. Sabiam-me incapaz de recusar a "brincadeira" numa situação delicada daquelas. Fotografaram e riram, riram riram aqueles bandidos!
E assim termina a aventura.
- Ah e tal, Pusinko, então e tu não te zangaste?
- Não. Naquele momento jamais o faria. Mas logo a seguir, quando já tinha esquadrinhado um plano terrível chegou o Karma e tratou de tudo.
- Como assim?
- Atirou-lhes uma gripe do tamanho do mundo a cada um e eu tive uma estadia fantástica o resto da semana. Tanto que ainda comprei souvenirs para não chegarem a casa de mãos a abanar.
- Foste muito querida.
- Pshhh náa. Esposo doente é esposo queixinhas e, mal por mal, antes voltar do outro lado do mundo com um presente.